Wednesday, December 31, 2014

O Dossier "Metano": qual é a gravidade da "doença" do planeta terra?



Gostaria de partilhar com todos uma "nova" realidade com a qual ainda não me tinha confrontado até à data.

Não me parece que seja uma "teoria da conspiração". Pelo contrário, algo de absolutamente alarmante: o planeta "Terra" está gravemente doente.

Importa que compreendamos o que isto quer dizer, o "grau" e o "avanço" da doença.

Por isso publiquei os quatro seguintes vídeos, não como "diagnósticos" absolutamente fiáveis, mas como algo que nos tem de colocar de sobreaviso - em relação ao qual temos que, fundamentalmente, saber mais.

Não se trata aqui de semear o pânico, mas de informar.


1) Documentário "Last Hours" - cerca de 10 minutos





2) Entrevista a Peter Wadhams, Professor de Física dos Oceanos, e Chefe do Grupo de Física do Oceano Polar no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da Universidade de Cambridge.
Data da entrevista: Novembro/2013 - cerca 6 minutos






3) Trechos da entrevista com Natalia Shakhova, pesquisadora da Universidade do Alasca em Fairbanks e membro da Academia Russa de Ciências, na Conferência da União Européia de Geofísica - cerca de 8 minutos







4) Documentário "Artic Death Spiral and the Methane Time Bomb" - na minha opinião, deveriam de reservar 1h30m para verem este documentário, que me parece muito bem construído.



Monday, November 10, 2014

Oficial - a extinção do Rinoceronte-negro-ocidental.






Breve, brevemente, o ser humano, esse ser completamente racional e consciente, sabedor do que faz, somente se encontrará a si por todo o lado. Depois de esgotar todos os recursos, de tudo consumir, de tudo levar à extinção, Deus ou os deuses perceberão o quão são imperfeitos (acto de humildade?), caso contrário não teriam, pois, inventado este animal tão descabido que é o o animal (des-)humano.

Para as novas extinções a caminho recomenda-se:
http://greensavers.sapo.pt/2014/11/10/rinoceronte-negro-ocidental-esta-oficialmente-extinto/

Friday, July 04, 2014

Luis de Freitas Branco: The Death of Manfred (1906) - String Sextet





Impossível de ficarmos indiferentes... mais ainda quando algo tão enorme é escrito aos 15 anos.

Sunday, October 20, 2013

Três problemáticas em tela


Manuel de Oliveira
"Non ou A Vã Glória de Mandar" (1990)



Serão todas as palavras atravessadas por um Non?
As palavras são do Padre António Vieira, sermão da terceira quarta-feira da Quaresma de 1670.




Luchino Visconti
"Morte a Venezia" (1971)







Michael Haneke
"Das weisse Band" (2009)




Monet - Nenúfares, Paisagem de Água, as Nuvens (1903)




A Pobreza de certas palavras - António Ramos Rosa


É para ouvires o som de um buraco,
certas palavras despidas, certas palavras pobres:
o som de um buraco.

O sopro que ouvires, não o ouves, não é o sopro da árvore.
Aqui esqueceu-se o peso das pedras.

Por isso outras palavras: as que sobram.
Não as que restam.
Não será um grito. Certas palavras, só.

A quebra muda, nem sequer produz um baque.
Eis o que elas produzem depois de ti:
o som de um buraco.

Entre nós: não o ouvido. Certas palavras mais pobres.
obsessivas, mortas.
Persistem. Morrem.

(Retirado da obra "Nos seus olhos de silêncio")

Escolhas musicais


John Tavener - Eternity's sunrise






Berlioz - Lélio ou le retour à la vie Op. 14b, Le pêcheur


Tuesday, July 24, 2012

O esquecimento nos nossos dias ou o recalmento de Freud


Se o meu ser é outra vez,
sem esperar mais será,
ou voltasse o tempo já
de quanto será depois...!

Autor desconhecido citado por Cervantes
na sua obra D. Quixote de la Mancha


"Tudo se esfumava numa espécie de névoa.
Rasuravam constantemente o passado, a rasura era esquecida
e a mentira tornava-se verdade

George Orwell, 1984


Um grupo de cientistas suecos da Universidade de Lund na Suécia afirma que o cérebro pode ser treinado para esquecer lembranças. Preconiza-se que esta «técnica de esquecimento», como lhe chamam, poderá vir a ser utilizada para um conjunto de psicopatologias, como é o caso da depressão ou do stress pós-traumático.

O autor do estudo, Gerd Thomas Waldhauser, afirma inclusivamente que a sua investigação confirma que podemos esquecer os factos de forma deliberada.

Apesar da escassa informação que pude obter em relação a este estudo, aquilo que li suscitou-me algumas peguntas. São elas:

1) será que é possível esquecermo-nos que nos esquecemos? Isto é, utilizamos a chamada técnica de esquecimento para esquecer um evento traumático. Será possível esquecer que utilizámos a técnica do esquecimento?, dado que se não nos esquecermos de que a usámos o mais provável e natural é surgir uma curiosidade impetuosa que nos corroerá por dentro: "mas o que é que seria tão importante que foi necessário que nos esquecessemos?" Por esse motivo, para que esta técnica ou qualquer outra seja bem sucedida é necessário que ela produza um esquecimento do esquecimento, que impossibilite um qualquer tipo de associação psíquica que nos conduza ao evento que foi erradicado da nossa memória. A tarefa afigura-se complicada.

2) A hipnose foi também utilizada como «técnica de esquecimento». Contudo, a sua eficácia foi demonstrada ao longo do tempo como sendo bastante limitada. Caso contrário, poderia-se, por exemplo, hipnotizar um indivíduo para se esquecer que era fumador. Assunto resolvido. Será esta técnica mais credível do que era a tão afamada hipnose? Ou é o retorno do mesmo, de uma vestuta técnica com novas roupagens?

3) Quais as consequências de um esquecimento? Bom, se nos esquecermos que somos falantes deixamos de saber quem somos. E se nos esquecermos de um evento traumático?

Vejamos alguns casos mais extremados: 1) é possível esquecer o evento traumático como é a morte de alguém querido? O que implicaria a existência desse esquecimento? Se for somente da sua morte, será que o tomariamos doravante como vivo? Isso não seria viável, pelos vários motivos que se possam pensar. Ou o esquecimento incidiria sobre a totalidade da sua existência? Com isso, obliterariamos uma parte fundamental de quem nós somos, a parte do outro que existe em nós, o passado do presente em que nos transformámos mediante a dádiva da sua presença; 2) é possível esquecer a morte? Pensemos em alguém que, de um momento para o outro, ficou com a sua hora marcada. O que fazer para se livrar do tormento, da angústia de um tempo que expira e do abismo que se aproxima a uma velocidade sofregante?; 3) Ponderemos agora um caso que pode suscitar hesitações e ambiguidades: uma criança ou uma mulher violada: não terão elas o direito de verem erradicadas da sua mente esse evento traumático, essa marca que os acompanhará para todo o sempre e que interferirá a cada momento nas suas vidas? Este caso, confesso, poderá apresentar-se como uma excepção para a qual não existem fórmulas morais. Contudo, qual seria a consequência desse esquecimento?

Tal pergunta remete-nos para uma «ética do esquecimento».

Convirá, para reflectirmos sobre o modo como poderiamos abordar essa ética, retomarmos o trabalho de Freud sobre o conceito de «recalcamento». Ora, diz-nos Freud, o recalcamento refere-se precisamente a uma lembrança ou uma pulsão cujo acesso à consciência foi barrado. A consequência desse esquecimento, isto é, da força que instaura a vigência de um recalcamento, produz, diz-nos Freud, um «retorno do recalcado». Por outras palavras, isso que está recalcado retorna por vias estranhas à consciência, sobre a forma de sonhos, sintomas ou de angústia.

Trata-se de um esquecimento no qual o esquecido não se quer ir embora, não nos quer deixar. Isto é: se nada dele sabemos (ou antes, nada queremos saber), não é por isso que ele não queira nada connosco. Se é verdade que para nós ele não existe, ele existe em nós e com ele a angústia que provoca. Existe o que se chama de formações do inconsciente, as vias de retorno do que foi excluído da consciência num envoltório irreconhecível. O que aprendemos com Freud é não existe recalcamento sem retorno do recalcado e esse retorno é aquilo que se paga pelo que se esqueceu.

Mas o problema é mais complexo, porquanto Freud distingue o recalcamento primário de um secundário. De modo resumido, o recalcamento primário corresponderia, de acordo com a leitura de Lacan, ao modo como a linguagem ao se introduzir no corpo, ao colonizar a carne e recalcar um hipotético puro estado de natureza primevo, nos faz cair em nós, nos arranca à ausência de nós e nos instala como seres desejantes, como seres afectados por um vazio irrevogável que exige um preenchimento impossível. Este arrancamento à ausência de si é, por um lado, um parto sempre traumático (como Freud procurou teorizar com o complexo de castração) e, por outro, constitui a dimensão psíquica cerzindo-a com a corporal através do que Freud denominou como fixações da libido, as marcas em torno das quais se modulará não só o carácter de um indivíduo, como também aquilo que Lacan formulou como o fantasma fundamental.

Por sua vez, o recalcamento secundário, o recalcamento propriamente dito, é o recalcamento que se impõe aos acontecimentos contingentes do rumo da vida, acontecimentos estes que podem (ou não) adquirir um valor traumático em função da proximidade que estabelecem com a força de atração do recalcamento primário e do fantasma fundamental (por exemplo, um determinado evento da vida quotidiana pode desencadear um medo ou aversão ou obsessão inexplicável em relação algo - são reacções que correspondem já uma actuação do recalcamento, que é nuns casos melhor sucedida e noutros pior). Este recalcamento corresponde pois a uma força de bloqueio e de exlusão de todo o tipo de material ideativo que não seja tolerável para a consciência.

Dito isto, estaremos em condições de perceber que não só o esquecimento que se procura promover cairá sempre no âmbito de um recalcamento secundário, como também é o inverso da proposta de Freud. A sua proposta é de procura de verdade, não de escondimento, esquecimento, recalcamento, mentira.

Convirá, por isso, olhar com atenção para o que nos dirá esta técnica (possivelmente financiada) sobre o «espírito» do nosso tempo?

Retomemos, pois, a última questão apresentada: uma pessoa que foi vitima de um advento traumático tem ou não o "direito" a esquecer-se dele? A resposta reside, parece-me, no próprio modo como ocorrerá esse esquecimento. E aqui poderemos circunscrever o plano em que se pode conceber uma ética do esquecimento.

Em primeiro lugar, a questão que tereremos de colocar é: em que medida uma tal técnica é ética, uma vez que se somente realizar um recalcamento sem se considerar o chamado retorno do recalcado poderá estar-se a sujeitar aqueles que a ela se submitem a uma guerra sem quartel contra si mesmos. Basta termos em consideração o que Freud assinala ao asserir que "um representante pulsional desenvolve-se com menos interferência e mais profundamente se for afastado, por meio do recalcamento, da influência consciente. Prolifera na escuridão e toma formas extremas de expressão" (O Recalcamento, 1915).

E se essa técnica eliminar o retorno do recalcado (a pergunta não é meramente da ordem da ficção, mas é uma possibildiade que a técnica nos poderá presentear no futuro)? Tornar-se-à ética?

A questão aqui torna-se extremamente problemática. Foi por isso mesmo que introduzimos a distinção entre o recalcamento primário e secundário. Até onde se pode avançar na remoção do retorno do recalcado? Quais as suas consequências? Temos um exemplo que nos permite pensar essa hipótese na obra 1984 de Orwell. Quando Winston, após ser submetido a uma lavagem cerebral pela Polícia do Pensamento, em que um dos seus objectivos passaria por «reeducar» o sujeito a raciocinar 2+2=5, isto é, esquecendo-se do seu resultado como 4, o que sucede é que Winston sabe que o resultado não é 5, mas também não se consegue lembrar que é 4. Ele fica tomado pela insistência de procurar uma resposta cuja verdade não pode ser lembrada (essa insistência é um dos nomes do «sintoma»).

O que sucede aqui pode ser novamente explicitado com o recurso a Freud. O recalcamento secundário concerne não somente a um dado conteudo ideativo (a lembrança de um trauma). O que constitui o valor traumático de um conteúdo ideativo é, diz-nos Freud, o investimento pulsional desse conteúdo. A remoção do conteúdo ideativo que o recalcamento opera não suprime, por isso, a força pulsional que lhe inere e que foi desencadeada pelo evento traumático, pelo que esta pode assomar-se mediante diferentes destinos que decorrem do próprio modo como o recalcamento incidiu nessa força pulsional. (Nesse sentido, cabe-nos acrescentar que quando Freud, na sua obra Além do Princípio do Prazer, afirma que a psicanálise não é uma arte de interpretação, tal afirmação deve-se à constatação de um incurável que radica na nossa vida pulsional). Um deles pode ser mesmo o de inundar o sujeito com uma angústia sem nome (ou seja, sem qualquer ligação com uma representação ou conteúdo ideativo).

A hipótese que este exemplo nos permite equacionar é a de um risco severo de se produzir buracos dentro do próprio sujeito, buracos estes que se revelam não como meras falhas, mas como autênticos buracos negros; o perigo de se animalizar as pulsões e as converter em forças indómitas, cruas e bestiais.

Qual é a alternativa? Ou antes, é a pergunta que nos devemos colocar: existirá alternativa à própria vida como processo de esquecimento, ou melhor, à elaboração psíquica da vida no processo de se viver como processo de esquecimento?

Sinto-me tentado em relação a este tema a deixar mais algumas perguntas e considerações que têm como propósito procurar pensar a problemática com que seremos confrontados com o aperfeiçoamento deste tipo de intenções/inovações:

A que nos conduzirá no futuro a apologia de tais técnicas de repressão de lembranças, sejam elas técnicas de esquecimento por actuação química, provocadas por manipulação genética ou por quaisquer outros meios? A que conduzirá uma ideologia utilitarista, mecanicista e higienista numa sociedade que é instigada para se tornar revindicadora de tudo o que há a revindicar, a consumir tudo o que é possível até à exaustão? Como estas técnicas serão implementadas na sociedade da banalização do consumo, numa sociedade em que vigora o imperativo da ultrapassagem de todos os limites, do gozar a qualquer preço, do consumo desenfreado, do just do it, mas que também navega ao sabor da ideologia de um grau zero de sofrimento e da menor tolerância face à dor que daí decorre? Qual será o limite da sua utilização? Vamos chegar ao ponto de eliminar a mínima lembrança desagradável que possa existir em nós na procura de eliminar a angústia que as acompanha? Ficaremos adictos do esquecimento, da mentira? Seguiremos o caminho de nos tornarmos incapazes, impotentes e desprovidos de «ferramentas espirituais» para lidar com as dificuldades e amarguras da vida?

Dead Can Dance -

O (belíssimo) documentário que aqui vemos a acompanhar estas lindíssimas músicas dos Dead Can Dance é o «Baraka» (1992) de Ron Fricke.


"The Host Of Seraphim"




"Yulunga"

Bruegel (o Velho)

Para além da mestria de Bruegel que é manifestada nestes quadros, é igualmente sublime a sua capacidade de expressar a «cegueira» que perpassa o acontecimento de «lucidez» do humano, seja dessa ambição desmedida que nos habita e que nos incita a igualarmos o divino, tal como expressa o mito bíblico da «Torre de Babel» (o que hoje se manifesta nas narrativas da «pós-humanidade»), seja no modo como somos intimados para um «destino» sem que primariamente e no mais das vezes nos questionemos sobre o modo como habitamos esse encaminhamento e o que configura como tal esse habitar. Parece-me que é também o que expressa, ao seu modo, a «Parábola dos Cegos».




A Torre de Babel
Data - 1563
Técnica - Óleo sobre painel
Dimensões 114 cm × 155 cm
Localização Museu Kunsthistorisches , Viena , Austria

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A Parabola dos Cegos
Data 1568
Técnica - Óleo sobre painel
Dimensões - 86 cm × 154 cm
Localização - Museu Capodimonte, Nápoles, Italia

Fernando Pessoa

Meu pensamento, dito, já não é
     Meu pensamento.
Flor morta, boia no meu sonho, até
     Que a leve o vento,

Que a desvie a corrente, a externa sorte.
     Se falo, sinto
Que a palavras esculpo minha morte,
     Que com toda a alma minto.

Assim, quanto mais digo, mais me engano,
     Mais faço eu
Um novo ser postiço, que engalano
     De ser o meu.

Ah, já pensando escuto, a voz reside
     No interno fim.
Meu próprio diálogo interior divide
     Meu ser de mim.

Mas é quando dou forma e voz do 'spaço
     Ao que medito
Que abro entre mim e mim, quebrando um laço,
     Um abismo infinito.

Sugestão de Filme: "Vivre Sa Vie" de Godard

Deixo-vos um trecho muito interessante de uma conversa com um filósofo...


Tuesday, October 18, 2011

Arvo Pärt

Variations for the Healing of Arinushka





Für Alina

Teixeira de Pascoais

Excertos da Elegia da Solidão (1)


Entre turbas de mortos não ser mais
Do que um espectro vivo?
Ser doido cataclismo!
Ser desprendida folha,
Entregue aos vendavaes,
A voar, a voar em negros vôos afflictos!
Olhar seu proprio sêr como quem olha
O fundo d'um abysmo!
E querendo esconder nas sombras o seu rôsto,
Para chorar tão intimo desgosto,
Ter de invocar a noite em altos gritos!

Ó meu vulto perdido em trevas misteriosas!
Cégo, a bater de encontro ás brutas cousas,
Coberto de feridas, a sangrar…
Sou como a sombra em lagrimas do mar;
Nuvem desfeita em chuva;
Um enorme phantasma de viuva
A rezar e a chorar na solidão sem fim!
Noite de horror sempre abraçada a mim!
Ó noite, onde ha soluços e estertores
E procissões infindas de clamores…
Multidões de phantasticas mulheres,
A cantar, a cantar sinistros miséréres…
Sombras que o vento leva…
Doidos perfis de fogo a rir na treva
Que nos desvenda as lividas entranhas,
Com nuvens e contornos de montanhas,
Com arvores agitadas de anciedades,
Com desgrenhadas, intimas saudades
E tragicos desejos que arrefecem,
Soes que n'um mar de sangue desfalecem!

Sou a noite em que o mundo se consome:
As cousas mais humildes e sem nome,
As estrelas, os Deuses, tudo quanto
Se amortalha na sombra do meu canto
Que chora a sua eterna imperfeição!
Sou tempestade, noite, solidão,
O frio esquecimento,
A sombra do luar bailando com o vento,
Um gemido de nevoa, uma ternura, um ai,
Phantasma d'uma lagrima que cáe.






(1) Retirado do Project Gutemberg

Caravaggio

David com a Cabeça de Golias







Year - c.1610
Type - Oil on canvas
Dimensions - 125 cm × 101 cm (49 in × 40 in)
Location - Galleria Borghese

A experiência de Milgram sobre a obediência à autoridade

Em que medida acreditamos que o nosso comportamento é insusceptível de ser manipulado por uma autoridade?

A maior parte de nós «acredita» que somos dotados de uma invulnerabilidade no que se refere ao nosso lívre arbítrio.

O que a experiência de Milgram vem revelar é que tal crença, tal sentimento, é ilusório. A obediência pode enraizar-se dentro de nós a um nível que não só desconhecemos, como também se pode manifestar de difícil controle. De referir que esta experiência vem tornar visível em termos científicos algo que já se sabe à muito nas instituições militares ou religiosas.

Deixo-vos uma repetição da experiência de Milgram realizada em 2009.

Convirá salientar que nesta experiência 9 dos 12 participantes foram na sua obediência a um nível impensável. Já na experiência original realizada em 61, 65% (26 de 40) atingiram esse nível impensável de obediência. De sublinhar ainda, que nas diversas repetições do experimento que foram feitas desde então o "nível impensável de obediência" variou entre os 40% aos 60%.

Dá que pensar.








Wednesday, July 06, 2011

Vamos fazer dinheiro

Esta é uma entrevista de um ex-"assassino económico" retirada do documentário Let's Make Money (2008). Vale a pena vê-lo na íntegra.

Conjunções Disjuntivas

Caspar David Friedrich - O viajante sobre o mar de névoa (1818)





Para acompanhar a beleza deste quadro de Friedrich, sugiro-vos um excerto de Virgílio Ferreira da sua obra Aparição. Se com os seus quadros Friedrich provoca a fragmentação do olhar panoramático e neutro do real, porquanto nos faz confrontar com esse real aparentemente ensimesmado numa diferença de si como a contrapartida de um ver «romântico», Vergílio Ferreira eleva esse olhar sem uma visibilidade do real que lhe garanta serenidade a uma vibração inquietante. Merecem que nos demoremos, naveguemos naquilo que nos oferecem.

"Quem te habitava não é. Viverás ainda na memória dos que te conheceram. Depois esses hão-de morrer. Depois serás exactamente um nada, como se não tivesses nascido. Quantos crimes, vexames, remorsos, alegrias e projectos e traições e castigos e prémios e tudo e tudo nos milhões de homens que passaram noutros séculos por esta pequena aldeia e souberam os seus sítios e a montanha e a ribeira e se souberam daqui e disseram «esta casa é minha, esta terra é minha» e sentiram a aura de tudo isto, destes ventos, destas noites, e são hoje o nada integral, absoluto, pura ausência, nada-nada? Eis que começa a tua longa viagem para a vertigem das eras, para a desaparição do silêncio dos milénios."

Mad Season - Wake Up

Sunday, July 03, 2011

Herberto Helder

Isto que às vezes me confere o sagrado, quero eu
dizer: paixão: tirar,
pôr, mudar uma palavra, ou melhor: ficar certo
com a vírgula no meio da luz,
dividindo,
erguendo-me do embrulho da carne obsessiva:
que eu habite durante uma espécie de eternidade
o clarão -
isto não o entendo, esta pancada desferida
no máximo concreto: copo,
cigarros,
o livro, e do próprio meu: a ininterrupta
amargura da memória, o tão pouco de
quente respiração - isto
eu não entendo que os dedos sejam arrancados com o copo, que
no caderno a vírgula
fundamental
trave tudo para sempre - e depois é a obra das bruscas
aberturas, a abertura de cada coisa, e cada
minha abertura na abertura
do mundo - isto
não o entendo fora e dentro, esta
velocidade, só
porque fui tão oficinal com as pontuações mais simples
e o quotidiano em baixo,
amor e desamor
- porque não entendo que uma garra me tenha apartado por trás da cabeça
e me tenha impelido, e o
desequilíbrio sobre as árduas escritas em casa, ou a
devastação morfológica, ou
um abalo, um abuso,
nada,
me concedam a sumptuosa ignorância quantas atmosferas acima
dos pés na vírgula: o
arrabatamento